Bolsonaro vence primeiro turno e enfrentará Haddad no segundo

Rio de Janeiro, 8 Out 2018 (AFP) - O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro
ganhou com uma margem ampla o primeiro turno das eleições presidenciais do
Brasil, mas disputará o segundo turno com Fernando Haddad, do Partido dos
Trabalhadores (PT), em 28 de outubro.

Após a apuração de quase a totalidade das urnas, Bolsonaro, de 63 anos, tinha
46,9% dos votos contra 29,20% para Haddad, o indicado pelo ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro apostava em vencer as eleições no primeiro turno e depois de divulgados
os resultados parciais, ele afirmou, em transmissão em sua página no Facebook,
que "problemas" com as urnas eletrônicas o teriam impedido de se eleger
presidente no primeiro turno.

"Se esse problema não tivesse ocorrido, se tivesse confiança no sistema eletrônico,
já teríamos o nome do novo presidente", disse Bolsonaro, sem denunciar
explicitamente uma fraude.

Uma semana antes das eleições, o candidato do PSL já tinha provocado polêmica
em uma entrevista, ao afirmar que não aceitaria um resultado diferente de sua
eleição, mas depois acabou se retratando.

Bolsonaro, que se recupera de um atentado a faca sofrido durante um comício em
Juiz de Fora (MG), no mês passado, convocou seus partidários a se manter
mobilizados.

- Alívio no PT -Em um hotel no centro de São Paulo, onde Fernando Haddad falou à
imprensa, houve gritos de alegria e alívio com a divulgação dos resultados.

Haddad prometeu um país "profundamente democrático" se vencer no segundo
turno e agradeceu a liderança de seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, a
quem irá visitar como faz todas as segundas-feiras em Curitiba, onde o expresidente
está preso.

"Queremos unir os democráticos deste país. Queremos um projeto amplo para esse
país, que busque de forma incansável a justiça social", disse Haddad, de 55 anos.

Após a notícia da possibilidade de um segundo turno, sua equipe de campanha
passou do silêncio à alegria no hotel paulista onde o candidato discursou.

O petista começou imediatamente a estender pontes a outros candidatos, sabendo
que só uma série de alianças pode lhe dar a vitória.

A chave para Haddad reduzir a vantagem de Bolsonaro está em Ciro Gomes (PDT),
que foi ministro da Integração Nacional de Lula e obteve mais de 12,58% dos votos.

Em declarações à imprensa, Ciro disse que discutiria com os líderes do PDT a
posição do partido no segundo turno, mas antecipou um possível apoio a Haddad

ao declarar que irá fazer o que fez toda a vida: lutar pela democracia e contra o
fascismo, declarou.

- Da alegria à preocupação -No bar do hotel Windsor, na Barra da Tijuca, zona
oeste do Rio de Janeiro, onde a equipe de campanha de Bolsonaro falou, o
otimismo dominante durante o dia deu lugar à preocupação.

As próximas três semanas vão pôr à prova a resistência do candidato, que quase
morreu após o atentado sofrido em 6 de setembro.

Também o coloca na obrigação de conquistar aliados, apesar da alta rejeição pelas
propostas de armar a população para combater a violência, além de suas
declarações misóginas, homofóbicas e racistas, bem como a justificativa que faz da
tortura durante a ditadura.

"Apoio Bolsonaro porque nosso país precisa de um choque de ordem e é o único
homem capaz de fazer isso pelo Brasil", disse à AFP Lourdes Azevedo, de 77 anos,
pedagoga aposentada.

O resultado "é um pouco decepcionante, a gente esperava ganhar no primeiro
turno. Agora fica mais difícil, o segundo turno é um risco", avaliou.

Embora tenham sido os mais bem colocados no primeiro turno, Bolsonaro e Haddad
são, ao mesmo tempo, os candidatos com maiores índices de rejeição.

Ex-prefeito de São Paulo pouco conhecido em outras regiões, Haddad tentou se
identificar com Lula e, assim, pôde herdar metade do eleitorado de seu mentor,
sobretudo entre a população pobre, que melhorou suas condições de vida sob seus
mandatos (2003-2010).

Mas também herdou o ódio que o ex-presidente inspira naqueles que condenam
pelos escândalos de corrupção, revelados pela Operação Lava Jato e pela crise
econômica em que mergulhou o país sob o mandato de sua herdeira política, Dilma
Rousseff, deposta em 2016 pelo Congresso.

- O centro e as alianças -Durante a campanha, Haddad "se esqueceu muito do
centro, que é fundamental. Sem o centro não se ganha uma eleição e menos ainda
se governa, então precisa desse apoio já. São três semanas, uma campanha
curtíssima, e mais ainda tem que pensar na governabilidade, estabelecendo
compromissos com esses setores", disse André César, da consultora Hold em
Brasília.

Na última semana, Bolsonaro recebeu apoio de setores poderosos, como os
ruralistas e as igrejas evangélicas.

Mas precisa lidar com um histórico de declarações racistas, misóginas e
homofóbicas e com suas justificativas da tortura durante a ditadura militar (1964-
1985), que lhe renderam uma ampla rejeição entre as mulheres e as minorias.

Em seu último vídeo no Facebook antes das eleições, o candidato prometeu
governar "inclusive" para ateus e gays.

"Vamos fazer um governo para todos, independentemente da religião, até para
quem é ateu. Vamos fazer um governo para todo mundo, para os gays, inclusive,
porque tem gay que é pai, que é mãe", publicou.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2018/10/07/bolsonaro-vence-primeiro-turno-e-enfrentara-haddad-no-segundo.htm

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