Reflexões iniciais sobre a sucessão em Manaus

Maior cidade da região Norte do país, com mais de 2,2 milhões de habitantes, a capital amazonense exerce influência econômica, política e social sobre todo o Brasil. O pleito desse ano tem como pano de fundo a pandemia e seus efeitos - Manaus foi das capitais mais afetadas pela Covid.

Entre os candidatos na disputa, três veteranos da política local. O ex-senador, ex-ministro (governos Lula e Dilma) e ex-prefeito Alfredo Nascimento é o candidato do PL. Ele conta com o apoio do atual prefeito, Arthur Neto (PSDB). Bastante conhecido do eleitorado, o candidato apresenta índices de rejeição que não podem ser desprezados.

Outrora aliado de Nascimento, o ex-governador e ex-prefeito Amazonino Mendes é o nome do Podemos. O candidato conta com o apoio do senador Eduardo Braga (MDB), uma das principais lideranças de seu partido no Congresso Nacional. O PSL também apoia Mendes.

O terceiro “medalhão” da política amazonense a participar da disputa é o ex-governador David Almeida (Avante). Seu leque de apoiadores pode ser considerado de peso - entre eles, aliados do atual governador, Wilson Lima (PSC), como o senador Omar Aziz (PSD) e o ex-deputado federal Pauderney Avelino (DEM).

No campo bolsonarista, o Patriotas tem no coronel da reserva Alfredo Menezes seu representante. Ex-superintendente da Suframa, ele é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro, seu colega na Academia Militar de Agulhas Negras. O slogan “Manaus acima de tudo, Deus acima de todos” reforça o laço com o titular do Planalto.

O deputado federal Capitão Alberto Neto é o candidato do Republicanos. Entre seus aliados estão o PMN e o PTB. Ele também mantém fortes conexões com o bolsonarismo - o também deputado federal Silas Câmara, um dos “pais” da candidatura, é o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, importante apoiador do presidente.

No campo da esquerda, o PT tem como candidato o deputado federal José Ricardo. O partido se coligou ao PSOL, que terá a vice, e conta ainda com o apoio da Rede. Já o PCdoB terá uma chapa puro-sangue, com Marcelo Amil à frente. O objetivo do partido é marcar posição junto ao eleitorado manauara.

A exemplo do que ocorre em outras capitais, a disputa em Manaus dificilmente será concluída no primeiro turno. Há muitos postulantes fortes na disputa, com a possibilidade real de um segundo turno entre dois candidatos de centro-direita.

André Pereira César

Cientista Político

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