Eleições municipais: vencedores e derrotados

As atenções do mundo político estão voltadas para as eleições municipais, cujo primeiro turno ocorrerá no próximo domingo, 15 de novembro. Mesmo com o quadro geral fragmentado, podem ser feitas algumas observações iniciais.

No âmbito partidário, o processo não irá gerar um vencedor absoluto. Ao contrário, partidos de diferentes colorações ideológicas podem se sair bem. Das 26 capitais em disputa, PSDB e DEM lideram cinco cada, enquanto o MDB aparece na liderança em outras quatro. Confirmado o favoritismo desses partidos, será mais um estímulo para a reedição da aliança que deu suporte aos oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Já há conversas nesse sentido, com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), entre outros.

Outra agremiação que se destaca é o Podemos, que lidera em três capitais. O partido, criado há poucos anos, tem pretensões de alçar voos maiores, e o teste municipal será um importante evento para seus integrantes.

À esquerda, PT, PSB, PCdoB, PDT e PSOL tem um candidato cada na liderança. Dada essa realidade, a grande questão que se coloca é se, passado o pleito, esses partidos buscarão algum tipo de aliança visando a sucessão presidencial. A recente reaproximação entre o ex-presidente Lula (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) foi um primeiro sinal nesse sentido, mas é preciso muito mais para que as legendas de esquerda recuperem o peso político que tinham até pouco tempo atrás.

Neo-aliado do governo Bolsonaro, o conjunto de partidos que compõem o Centrão está na frente em três capitais - duas com o PSD e uma com o PP. O bloco, porém, certamente terá representantes em diversos governos das principais cidades brasileiras.

Por fim, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode ter dado um passo em falso ao apoiar as candidaturas de Celso Russomanno (Republicanos/SP) e Marcelo Crivella (Republicanos/RJ). Com elevados índices de rejeição, os dois correm o risco de nem passar ao segundo turno, deixando o titular do Planalto sem palanque nas duas metrópoles.

Aqui repisamos o velho mas inevitável chavão - as eleições municipais representam a antesala da disputa presidencial, em especial no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Bolsonaro e aos demais partidos, o sucesso interessa muito nessa disputa para se ganhar musculatura política rumo a 2022.

André Pereira César
Cientista Político

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